Pergunta:
O torcicolo congênito é uma das doenças congênitas mais comuns. A incidência é de 1 para 250 nascidos vivos, com predominância para o sexo masculino, sendo o lado direito mais acometido. O diagnóstico é feito clinicamente no nascimento, pela apresentação clínica. Em alguns casos, faz-se necessário o diagnóstico diferencial, diferenciando a condição de disfunções neurológicas, ósseas, oculares, auditivas, inflamatórias e malformações. Mesmo não havendo uniformização da sistemática terapêutica, o consenso na literatura é de que o tratamento inicial de escolha seja conservador, por meio da fisioterapia. Com base nisso, analise a situação a seguir: Descrição da imagem não disponível Nesse contexto, responda as seguintes questões: a) Quais características clínicas o fisioterapeuta deve encontrar na avaliação do paciente? b) No caso de um tratamento conservador, quais condutas fisioterapêuticas essenciais você realizaria no atendimento desse bebê?
Explicação:
Padrão de resposta esperado
a) A forma mais comum de apresentação do torcicolo congênito é a presença de tumor cervical de 1 a 3cm de diâmetro, duro e liso no terço médio do músculo esternocleidomastóideo (ECM). Inicialmente, observa-se dificuldade do bebê em virar a cabeça para o lado oposto, e mais tarde desenvolve-se inclinação do pescoço e da cabeça para o lado afetado. Nesse caso, a fibrose e o encurtamento unilateral do músculo ECM provocam a inclinação da cabeça para o lado afetado e rotação da face para o lado oposto. Além disso, pode haver limitações nos movimentos do pescoço e elevação do ombro no lado do músculo encurtado.
Em crianças com mais de 1 ano, costuma se apresentar na forma de um cordão fibroso no músculo ECM com posterior surgimento de assimetrias faciais e cranianas.
b) Como diretriz no plano de tratamento fisioterapêutico de pacientes com torcicolo congênito, recomenda-se que a intervenção inclua no mínimo alguns componentes: alongamento dos músculos cervicais, ganho de amplitude de movimento do pescoço e do tronco, desenvolvimento de movimento simétrico, adaptações ambientais e educação de pais e/ou cuidadores.
Em relação aos alongamentos, durante as primeiras semanas de vida do bebê deve haver enfoque nos exercícios de alongamento passivo do músculo ECM, de modo a ganhar a sua extensibilidade máxima, reduzindo, assim, a contratura e a fibrose consecutiva das fibras musculares.
Aliada a essa abordagem, deve-se realizar a mobilização da coluna cervical em todos os planos de movimento, incentivando também a correção ativa por parte da própria criança, de modo a prevenir assimetrias compensatórias de crânio, face, olhos e tronco.
As orientações aos cuidadores consistem tanto na realização de exercícios domiciliares como nos estímulos à movimentação ativa, com posicionamento do bebê no berço, sentado ou no colo e posição para amamentação, sempre favorecendo a correção da deformidade. O trabalho de alongamento deve ser colocado como regra na rotina da criança, podendo ser associado a procedimentos diários, como as trocas de fraldas.
A estimulação da movimentação ativa pode ser realizada antes ou depois de aplicar a manobra de alongamento, promovendo a movimentação ativa da cabeça por estímulos auditivos ou visuais que chamem a atenção da criança, levando à realização dos movimentos até a maior amplitude ativa possível.